A atuação da Doula na assistência ao parto


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Nossa querida Doula Raquel Jandozza traz o seu olhar sobre a assistência da Doula no Parto.

Ser doula, para mim, é um trabalho muito sensível porque estamos lidando com diversas relações ao mesmo tempo, afinal, nos relacionamos com a equipe, com a instituição, mas a maior e mais importante relação é com a mulher. Quando penso nisso, imediatamente vem à minha mente o significado da palavra doula: “aquela que serve”. E penso que esse não é qualquer serviço. Quando estou servindo a uma mulher, enquanto doula, me preocupo com a finalidade desse meu serviço, que é trazer confiança para aquela mulher em realizar o seu desejo de trazer ao mundo o amor maior da vida dela.

É possível perceber a importância desse papel? A doula não está ali só servindo um chazinho, um rebozo, uma massagem, um óleo cheiroso, um escalda-pés: ela está servindo amor, afeto, confiança e, principalmente, aquele olho no olho que diz “eu acredito em você”. E isso não se vende no mercado, nem na padaria.

O serviço que a doula oferece é difícil, sutil, delicado e, ao mesmo tempo, muito profundo, porque, por vezes, ela se depara com os conflitos mais dolorosos daquela mulher durante a gestação e o trabalho de parto e isso é altamente desafiador.

Durante o trabalho de parto, enquanto a equipe está ali, diante da mulher, com suas técnicas e de olho no protocolo, para cuidar se houver uma necessidade de intervenção, a doula está com a mulher a ajudando a passar pelo momento de maior medo, maior dor, maior angústia, ou maior prazer – dependendo de como ela lida com aquela situação toda.

A doula não ausculta, não faz exame de toque, ela só sente. E sente junto com a mulher. E para que isso dê certo é preciso estar profundamente conectada, a sintonia tem de estar muito forte. Mas, o que isso significa? Significa que é importante sentir junto com essa mulher, ou seja, partilhar os medos e ajudá-la a passar por aquilo. Às vezes, isso pode ser feito por meio de um carinho ou massagem, mas, no fundo mesmo, é só dizer para ela: “estamos juntas, eu estou aqui com você e não vou te deixar e você também não vai se deixar e deixar esse bebê pelo meio do caminho. Por vezes, naquela fase em que é mais dolorosa a contração, a transição, a dilatação, a descida do bebê não há nada que eu faça e que alivie a dor, mas eu sei que a vibração que passo, durante o olho no olho, faz com que aquela mulher receba a mensagem de que ela é mais forte do que imagina ou do que a dor está dizendo para ela.

No final, quando tudo passa, a mulher tem a dádiva de segurar seu filho no colo. Nessa hora eu deixo de existir naquele espaço e apenas observo a conexão daquela mulher que agora encontrou seu verdadeiro par: seu filho. Não há dupla mais pulsante, mas vital que a mãe e o bebê.

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