Fisioterapia respiratória: fique por dentro desse tratamento


Asma, bronquiolite, bronquite, sinusite, rinite, pneumonia… Qual mãe nunca ouviu o pediatra pronunciar os nomes desses problemas respiratórios, que costumam acometer boa parte das crianças? Independentemente da gravidade, quando se depara com o diagnóstico de um desses males, não há dúvidas de que o tratamento deve ser seguido à risca para que o pequeno se recupere o mais rápido possível. Muitas vezes, a fisioterapia respiratória é uma grande aliada do processo de cura. Saiba o que é e tudo o que ela pode fazer por seu filhote!

O que é fisioterapia respiratória?
Trata-se de um tratamento realizado pelo fisioterapeuta, e solicitado pelo pediatra, em que são utilizados exercícios e técnicas manuais para auxiliar o tratamento de problemas respiratórios como a asma, bronquiolite, bronquite, sinusite, rinite, pneumonias, ou na recuperação de cirurgias que acometem e diminuem a capacidade respiratória, como cirurgias cardíacas, transplante de fígado, além de problemas neuromusculares e genéticos, que causam diminuição da capacidade respiratória e o acúmulo de secreções pulmonares (catarro). É importante que a solicitação de fisioterapia seja feito pelo pediatra da criança.

Como o fisioterapeuta respiratório atua?
Na prevenção e no tratamento de doenças respiratórias, cujo objetivo fundamental é remover as secreções e melhorar a função dos pulmões, que ficam com sua expansão (entrada e saída de ar) prejudicada.
Nesses casos, a tosse também é importante, pois é por meio dela que as secreções caminham nas vias pulmonares até serem expelidas pela boca. É importante saber que as secreções podem ser deglutidas e eliminadas pelas fezes, principalmente nas crianças menores, que ainda não sabem expectorar.

Se a tosse não for suficiente para eliminar toda a secreção existente, o fisioterapeuta pode estimular o processo, como, por exemplo, realizando o procedimento de aspiração, com o auxílio de uma “pera” ou aspirador nasal. De preferência, esse aparelho deve ser movido à pilha, pois é mais eficaz que o manual. E mais: pode também ser manuseado pela mãe, desde que bem orientada e treinada pelo fisioterapeuta. Outra opção é lançar mão de uma sonda de aspiração conectada ao aspirador elétrico por vácuo. Essa, porém, só deve usada pelo fisioterapeuta.

De quanto em quanto tempo a fisioterapia respiratória deve ser realizada?
Nos intervalos entre as mamadas ou a alimentação (ou pelo menos uma hora depois, porque pode causar náuseas e vômitos). As crianças devem ser avaliadas antes, durante e após a terapia pelo fisioterapeuta. O período de sono deve ser respeitado sempre que possível. O tratamento pode ser realizado em hospitais, clínicas ou no domicílio.

Para algumas crianças, o tratamento será de curto prazo, seja após uma gripe ou durante a cura contra a pneumonia. No caso de tratamento contínuo, em crianças com problemas respiratórios crônicos, frequentemente, surgem obstáculos, principalmente em crianças menores. Por isso, é importante procurar um profissional habilitado e que tenha afinidade com a criança. A sessão de fisioterapia respiratória não deve ser um sofrimento, e sim uma conquista e bom relacionamento entre pais, fisioterapeuta e criança.

Por que a criança precisa de fisioterapia respiratória?
O grande número de problemas respiratórios infantis está ligado às infecções virais e bacterianas, além dos fatores ambientais associados aos hábitos de vida e poluição do ar. Existem particularidades do sistema respiratório da criança que predispõem o aparecimento desses problemas. Por exemplo: as vias respiratórias da criança são bem fininhas e qualquer obstrução causa cansaço e acúmulo de secreções; a criança respira exclusivamente pelo nariz até o sexto mês de vida, pois sua língua é grande proporcionalmente ao seu tamanho, dificultando a respiração oral para compensar uma obstrução nasal.

Quais são as principais técnicas fisioterapêuticas usadas em crianças?

  • Percussão ou tapotagem: é uma manobra de desobstrução brônquica, que tem como objetivo soltar as secreções das vias respiratórias e facilitar sua eliminação. É realizada com as mãos em conchas ou ventosas de forma alternada e rítmica na região nas costas.
  • Vibração: as mãos do fisioterapeuta são posicionadas diretamente sobre a pele do tórax da criança realizando um movimento de vibração a fim de mobilizar, soltar e expelir as secreções.
  • Drenagem postural: trata-se da colocação da criança em diversas posições para facilitar o escoamento e a eliminação das secreções auxiliada pela força da gravidade. Pode ser realizada deitando a criança para ambos os lados ou sentada. Deve ser feita juntamente com a tapotagem e a vibração.

É importante ressaltar que, durante a terapia, a criança pode chorar, dormir, brincar… Por isso, essa terapia deve ser feita com muita responsabilidade, carinho e, de preferência, com a presença de uma pessoa familiar à criança. Além disso, quanto mais precoce a criança começar o tratamento com o fisioterapeuta, melhor e mais rápidos serão os resultados percebidos.

Quais orientações são importantes aos pais e cuidadores da criança que está em tratamento?

  • Ter atenção ao posicionamento ideal no berço: colocar a criança de barriga para cima, cabeceira mais elevada para evitar o risco de refluxo gastresofágico (quando o leite volta – não necessariamente a criança vomita – e vai para os pulmões). Essa posição também facilita a respiração.
  • Realizar inalação ou nebulização, que deve ser prescrita pelo pediatra, para facilitar a eliminação das secreções. Esses procedimentos precisam ser feitos sempre com uma máscara bem posicionada no nariz e boca da criança, para garantir eficácia e boa absorção pelas vias respiratórias.

Renata Helena Benvenga
Especialista em fisioterapia respiratória pelo Instituto da Criança
Fisioterapeuta da UTI pediátrica do Hospital do Coração – HCor