Gestação vitaminada: Sabor & Cor – antídotos para os enjôos


Eu estou grávida.
Acho que essa é uma das frases mais deliciosas que a gente pode dizer (ou repetir mentalmente até cansar). A vida muda, assim, instantaneamente. A gente passa a se olhar de outra forma, mais plena, mais feliz e com muito mais responsabilidade.

A menstruação nem tinha atrasado e eu sabia que estava grávida novamente. A primeira coisa que eu fiz foi pedir para o Teco me levar até a farmácia para comprar ácido fólico, afinal, como não estávamos planejando, não tinha começado a tomar ainda (o histórico de 2 abortos pesa nessa hora) e, apesar de consumirmos uma série de alimentos ricos nesse nutriente – como o feijão, a laranja, o fígado, as amêndoas, os vegetais folhosos verde escuro e tantos outros – é recomendado o seu uso antes da gravidez (30 dias) até a 13ª semana de gestação para evitar má-formação do tubo neural. (Aproveitei e comprei um exame também!)

O segundo passo foi olhar para mim e perguntar o que eu poderia fazer para ter uma gravidez mais saudável. Me rendi à disciplina de fazer uma caminhada diariamente (e alguns exercícios para fortalecimento da coluna) e depois comecei a fazer yoga.

Tudo ia bem até o dia que uma amiga nutricionista e grávida postou no Facebook que estava com dificuldade de consumir a quantidade de cálcio recomendada. Uma luz piscou.

No dia a dia penso na alimentação globalmente e nunca em termos de um determinado nutriente. A alimentação saudável é justamente baseada em uma grande variedade de alimentos para permitir, ao final, que todas as nossas necessidades tenham sido supridas. Mas logo eu que não tomo leite e nem consumo muitos derivados…
Pronto. Foi o que eu precisava para olhar para como estava me alimentando…

No primeiro trimestre, a mulher não precisa aumentar o seu consumo energético, pois toda a energia que o bebê precisa será usado de sua reserva, então a única coisa que tinha feito era ajustar minha alimentação de acordo com que o corpo estava pedindo. Afinal, sempre me esforcei para ter uma boa alimentação, ainda mais depois do Valentim!

Como tive enjôos desde o comecinho, passei a me alimentar em intervalos mais curtos, evitando longos períodos sem comer e fazendo pequenos lanches – geralmente frutas, principalmente as ácidas como a laranja e o limão (na forma de suco), o abacaxi e muita maçã.
Água sempre tomei muita. A diferença é que agora era com gelo. Muito gelo… A água gelada ajudava a “limpar” aquele gosto meio amargo de enjôo e mal-estar que andava sempre comigo.

Com a proteína não me preocupei. Consumo carnes e ovos com alguma regularidade, fora os alimentos vegetais ricos em proteína que eu adoro, como as leguminosas e as oleaginosas.
Vitaminas? ok. Muitas frutas e legumes coloridos garantem tudo que eu preciso em vitamina A (batata-doce, abóbora, cenoura, vegetais verde escuro folhosos. Nesse caso, conto ainda com alguns alimentos de origem animal: fígado, manteiga e ovos) e vitamina C (ai, minhas frutas cítricas antídoto para os enjôos).
Alguns alimentos me fornecem a vitamina D (ovo, atum, queijo, fígado). O ferro fica garantido nas carnes e nos vegetais verdes combinado com as vitamina C.

Ótimo.  Apesar da luz ter acendido estava tudo bem.
O cálcio? Tiro de letra comendo sardinha, gergelim, brócolis, grão-de-bico, feijão…
E sigo cada dia mais feliz, sempre de olho no prato mas sem perder o prazer de uma bela refeição!

Carla Caratin, mãe do Valetim e do Joaquim (na barriga). Nutricionista com foco em gestantes e crianças.