IDEALIZAÇÕES MATERNAS


Eu sempre fui uma pessoa que corre atrás daquilo que quer, sempre me virei do avesso para conseguir as coisas, planejei, tracei metas, alcancei… e quando me ví grávida, aprender que eu não posso controlar tudo, foi, e ainda é, muito difícil.

O aprendizado já começou com o parto. Idealizei demais essa experiência, e mesmo tendo conseguido ter um parto normal na nossa realidade cesarista, tive um parto muito difícil e não consegui proporcionar ao Caio o nascimento que eu queria pra ele… estava aí a primeira lição da maternidade: Você não pode controlar aquilo que os seus filhos precisam viver. Ponto.

Idealizei o parto, a amamentação, as noites de sono, as fraldas, o não uso da chupeta, e aos poucos, todos, todos os meus paradigmas foram caindo, um a um, na minha cabeça como um cuspe que você joga pra cima… e isso continua, todos os dias. Ao menos eu começo a entender que não tenho controle de nada mesmo e aos poucos paro de cuspir pra cima!

A nossa experiência com a amamentação foi uma onde eu combinei a minha personalidade persistente com a quebra dos meus paradigmas… e mesmo com muitos obstáculos, considero que estamos ganhando a batalha.

O Caio ficou 2 dias na UTI, e por isso não pude amamentá-lo em suas primeiras horas de vida. Sempre que ia visitá-lo, embora eu tentasse oferecer o meu peito, ele dormia… não estava com fome, pois estava recebendo soro glicosado na veia e leite artificial através da sonda. Quando finalmente foi para o meu quarto, mamou bem, mas mamava o tempo todo, e o pediatra sugeriu que déssemos leite artificial (LA) para que eu conseguisse descansar (segundo ele meu leite ainda não havia descido).

Em casa não foi muito diferente, meu marido não entendia por que eu insistia tanto em não oferecer outro leite pro meu filho, quando ele dormia tão pouco e mamava o tempo todo sem me dar tempo de descansar…. eu ainda com pressão alta… esgotada…
Acabamos cedendo ao LA novamente, por indicação da pediatra, para que eu conseguisse descansar.. sempre no copinho ou na colherinha… sempre comigo insistindo para que déssemos só um pouquinho. Eu tentei complementar com o meu próprio leite… mas não saía nada, nem ordenhando manualmente, nem com a bombinha de ordenha… ainda mais que quando ele não estava mamando, estava dormindo no meu colo.. e se eu colocasse em outro lugar, ele acordava imediatamente…

Com a ajuda de uma consultora em amamentação, consegui tirar o LA por um período. Assumimos a cama compartilhada, eu dormia sentada com o Caio no colo, as vezes conseguia me deitar sempre abraçada com ele… e assim íamos levando… mas conforme ele foi crescendo, e ganhando muito pouco peso, a pediatra insistia por complementarmos um pouco mais.. (e essa é uma pediatra super pró-amamentação, que examinou meu leite, meu sangue, as fezes do Caio, e tudo o que fosse possível para encontrar uma causa para o não ganho de peso dele antes de sugerir que eu complementasse a amamentação com LA)… começamos a usar a sonda da relactação, na minha insistência por nunca oferecer outro bico ao Caio. Algumas vezes fraquejei e deixei que o pai oferecesse o leite na mamadeira, mas alguns sinais me mostraram que isso rapidamente provocaria um desmame precoce, e eu briguei novamente para que não usássemos a mamadeira.

Aos 4 meses o Caio ainda usava roupinhas RN, e o pouco ganho de peso dele começava a me incomodar… a noite, ele acordava de 40 em  40 minutos para mamar.. e eu mal conseguia pegar no sono.. por isso acabei cedendo (antes de enlouquecer completamente) e aumentamos a quantidade de LA.
Foi quando na consulta da pediatra do 4º mês, ela sugeriu que iniciássemos a introdução de alimentos, pois mesmo com a complementação com leite, ele continuava muito magrinho. Naquele mesmo dia, quando chegamos em casa, ofereci uma banana prata amassada pra ele, e para nossa surpresa, ele a comeu inteirinha, com muita empolgação! Este foi o marco do fim dos meus dias de sofrimento… a partir daí, Caio começou a encorpar muito rápido, ficou mais esperto, e tinha um apetite!! Ainda continuei oferecendo LA, sempre na sonda, assim como outras frutas e depois legumes, até o 5º mês, quando ele iniciou no berçário.

Foi no 5º mês que eu cedi à mamadeira para que ele pudesse ficar algumas horas no berçário e para que eu conseguisse trabalhar (a história do berçário é papo para um outro post sobre a quebra de paradigmas rsrs). Mas nessa época, eu sentia que o Caio já conseguia entender muito bem a diferença entre a mamadeira e o peito, ainda mais que ele já tomava água e sucos no copinho de treinamento. Comprei uma mamadeira própria para mães que amamentam, e resolvi aceitar que daquele momento em diante, a continuidade da amamentação dependeria de nós dois, da minha vontade de amamentar (que tinha me trazido até aqui) e do gosto dele pelo mamá (que nesta fase já estava bem óbvio).

O Caio tem hoje 11 meses completos. Ainda mama com muita vontade no peito (aliás não pode ver o ‘tetê’ de fora que quer mamar…), pede para mamar em qualquer lugar, entende quando pergunto se ele quer mamar… e o nosso vínculo vai muito bem, obrigada! Ele continua tomando LA a noite e no berçário, hoje eu confio no meu ‘feeling’ de que o peito não está sendo suficiente ou de que eu preciso descansar e ele precisa de mais leite, e ele come muito bem também, muito obrigada!

Ainda tenho muitos paradigmas a serem quebrados, ainda cai muito cuspe na minha testa diariamente, ainda estou lutando para aprender e entender o que posso controlar e o que tenho que aceitar, mas hoje sou uma pessoa mais compreensiva (principalmente comigo mesma) e julgo muito menos, os outros e a mim mesma, por que sei que cada caso é um caso, cada mãe sabe o que é melhor para si para os seus filhos e que não existem regras… e que se houvesse somente um caminho, haveria um curso de maternidade… mas não há, a gente aprende a ser mãe todos os dias, pro resto de nossas vidas, desde o dia em que olhamos para aquela carinha pela primeira vez…

 

Por Carol Moreira Oliveira, mãe do Caio

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