O que preciso saber sobre Depressão Pós Parto e Baby Blues?


Foto: Evelyn Angel

Foto: Evelyn Angel

O nascimento de um bebê traz com o ele uma mistura de sentimentos e emoções que muitas vezes desconhecemos. Por isso é extremamente importante que a família acompanhe essa mãe, para que o “aparentemente normal” não seja o início de uma Depressão Pós Parto.
Para esse tema, bati um papo com a Psicóloga, Damiana Angrimani, que atende na Casita.

O que é a Depressão Pós Parto?
“A Depressão Pós Parto é um quadro grave e que acomete cerca de 20% das mulheres e compromete em muitos casos os cuidados com o bebê. A DPP paralisa a mulher e demanda cuidados imediatos. Está longe de ser um “capricho” ou “frescura” é preciso que haja muita atenção e acolhimento.”

O que é o baby Blues?
“O Baby Blues acomete cerca de 80% das mulheres e tem período de duração de 4 a 6 semanas após o nascimento do bebê. A mulher pode vivenciar um sentimento de tristeza e inadequação, chora bastante e pode sentir muita culpa. Os sintomas se agravam com a privação de sono, as dificuldades na amamentação, as adaptações à rotina do bebê e tudo isso é permeado por oscilações hormonais significativas.”

Damiana ainda acrescenta que em ambos os casos, a porcentagem de mulheres acometidas pode ser ainda maior, o problema é que poucas se sentem autorizadas socialmente a falar sobre as dificuldades trazidas com a maternidade. Por isso que ter rede de apoio e participar de encontros onde haja troca de experiências é tão importante.

É recomendado atividades, rodas de conversas sobre maternidade que proporcionem atenção a mãe e ao bebê?
“É sempre muito importante que a mulher participe desde a gestação até pós parto de grupos (link encontro pós parto). Hoje em dia essas fases completamente desorganizadoras são vividas quase sempre em isolamento, a falta de apoio, acolhimento e de um espaço para compartilhar dúvidas e angustias pode gerar muita insegurança. Quando participa de rodas de conversa e entra em contato com outras mulheres que vivenciam o mesmo que ela, as mulheres relatam um sentimento de pertencimento e também de tranquilidade já que percebem que outras mulheres passam pelas mesmas situações. Isso permite um maior contato com a realidade e as mulheres se libertam dos padrões irreais da sociedade que pregam que a maternidade é sempre maravilhosa e perfeita.”

Como os familiares devem lidar com essas situações?
“Com apoio, atenção e cuidado. Na maioria das vezes o sofrimento é visto como “frescura” e falas como: “porque você está chorando? Você tem um bebê lindo e saudável” ou “Não sofre assim que o seu filho vai sentir que você não o ama”, são muito comuns e só pioram a situação. Esse tipo de colocação das pessoas mais próximas, que representam a rede de apoio dessas mulheres só gera mais culpa e sofrimento.”
A orientação psicológica deve acontecer desde a gestação até o pós parto. Este é um período extremamente desorganizador para a mulher e ter um espaço para falar sobre todas essas mudanças, adaptações e desafios é uma forma de elaborar e passar por tudo de forma mais leve, real e possível.

Um beijo!
Carla Capuano
Idealizadora da Casita

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